Categorias

Pesquisar na Loja

ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL - Qualidade de vida e bem-estar

PDFImpressãoEmail
avc100.jpgavc100.jpg

Com envio CTT para 4,00 €
Preço base 18,00 €
Preço de venda com desconto
Preço Venda16,20 €
Desconto 1,80 €
Descrição

ISBN: 972-8485-65-4
Autora: Teresa Martins
Nº de Páginas: 264
Formato: 15 X 21 cm
Editora: Formasau
Ano de edição: 2006

PREFÁCIO

A Doutora Teresa Martins realizou comigo e com a Doutora Carolina Garrett, uma investigação que deu origem a tese de doutoramento sobre um tema decisivo nas culturas ocidentais. Debruçou-se sobre aspectos associados às consequências dos acidentes vasculares cerebrais (AVC), tomados numa perspectiva ampla, que foca em simultâneo os impactos funcionais, na qualidade de vida, e no bem-estar dos próprios e dos cuidadores.
De facto o AVC é um acidente neurológico que constitui a primeira causa de morte em Portugal, como tende a ocorrer nas culturas Mediterrânicas. Uma larga percentagem dos que sofrem um AVC morre no primeiro mês, continuando muitos dos restantes a falecer até um ano após o AVC.
Para os que não morrem as sequelas são relativamente frequentes, graves e variadas, com manifestações motoras ou cognitivas, a par de manifestações emocionais, e consequências sociais. É geralmente considerada uma doença da família no sentido em que este tipo de doenças impõe alterações substanciais no seu funcionamento. Tem ainda como característica ser uma doença dos mais velhos: ou seja quanto mais velho maior é a probabilidade de sofrer um AVC.
Ora este tipo de doenças tende a crescer, por um lado, porque a sociedade está a envelhecer, e por outro, porque o desenvolvimento da intervenção médica, permite que se morra menos deste tipo de acidentes.
Sendo um acidente neurológico os marcadores biológicos são um fraco preditor no prognóstico na integração e na adaptação à vida do dia a dia, quer do ponto de vista pessoal quer do ponto de vista emocional e social. Ora a autora estudou essencialmente a evolução deste bloco comportamental-emocional-social, e as variáveis que podem predizer essa adaptação, em doentes que já tinham tido o AVC, numa perspectiva longitudinal com seguimento até dois anos (ou seja depois da fase mais importante da reabilitação), para melhor descrever a adaptação, e para descrever as variáveis que lhe estão associadas e que melhor a podem predizer.
Como medida de adaptação é escolhida a qualidade de vida, não só a dos doentes como a dos que deles cuidam: relaciona estas variáveis com outras, como a funcionalidade dos doentes (não só nas actividades básicas da vida diária, como nas actividades instrumentais da vida diária), e com medidas emocionais e sociais.
O tema e o desenho do estudo têm a novidade de ser realizados num contexto de interacção de várias áreas, a psicologia da saúde (especialidade onde realizou o doutoramento), a neurologia (especialidade de um dos orientadores), enfermagem (formação de base da autora) e ainda saúde pública (especialização do mestrado realizado pela autora). Esta multiplicidade, interacção e integração de perspectivas, enriqueceu o trabalho, trouxe para ele perspectivas globais do fenómeno da doença, que são cada vez mais actuais e preocupam cada vez mais as sociedades modernas nos países desenvolvidos.
O estudo fornece indicadores para melhorar, globalmente, a intervenção pós-AVC e, assim, melhorar a adaptação e o bem-estar do doente, dos seus próximos, e da sociedade em geral.
A Doutora Teresa Martins foi uma investigadora cuidadosa, curiosa, empenhada e diligente, tendo daí resultado este trabalho de elevada qualidade e passível de futuros aprofundamentos, dado o volume de resultados produzidos que extravasaram largamente os objectivos da tese. Esta obra, agora editada, concentra os aspectos mais centrais dos trabalhos desenvolvidos e as reflexões tecidas sobre a problemática estudada permitindo a sua partilha e divulgação.
Finalizando, foi um prazer colaborar neste trabalho com a Doutora Teresa Martins e com a Doutora Carolina Garrett, não só pela multiplicidade de perspectivas que resultaram dele, como da multiplicidade de perspectivas que foram integradas no desenho da investigação, como, finalmente, pela cordialidade e pela fluência que estiveram associadas à investigação.

Prof. Doutor José Luis Pais