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O Idoso Dependente Em Contexto Familiar

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Abordagem que exalta o componente humano da relação entre o dependente idoso e o cuidador principal, num contexto cultural que confere à família e à vizinhança a dimensão de uma solidariedade interveniente que se aproxima da fraternidade
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Descrição

ISBN: 972-8485-38-7
Autora: Cristina Imaginário
Nº de Páginas: 244
Editora: Formasau
Ano de edição: 2008 (2ª ed.)

 

PRÓLOGO

Este livro representa o trabalho de investigação que a autora realizou no Concelho de Boticas, localidade transmontana onde havia desenvolvido uma prática de enfermagem com grande empenhamento.
Estando agora ligada à docência, na Escola Superior de Enfermagem de Vila Real, a Cristina Imaginário decidiu realizar o Mestrado de Ciências de Enfermagem do Instituto de Ciências Biomédicas do Porto e escolher o tema deste livro para realizar a dissertação correspondente.
A pertinência do tema e o rigor do estudo foram reconhecidos pelo júri que a avaliou. Contudo, a forma da abordagem exalta o componente humano da relação entre o dependente idoso e o cuidador principal, num contexto cultural que confere à família e à vizinhança a dimensão de uma solidariedade interveniente que se aproxima da fraternidade no sentido judaico-cristão do termo.
A investigação qualitativa, que foi o paradigma utilizado no estudo, permitiu a recolha de testemunhos ricos de experiência, em contexto que, sendo específicos no correspondente perfil, são susceptíveis de uma generalização portadora de normas comportamentais para quem, por exigência profissional, se confronta com a delicadeza do tratar e do cuidar de doentes idosos.
É também muito importante a análise dos pontos de vista dos próprios doentes, cuja acutilância ressalta da leitura directa de cada realidade e da comparação dos testemunhos dos cuidadores em comparação com o dos idosos.
Verifica-se que são abertos horizontes de pesquisa quando se tiram as conclusões deste trabalho.
Tive o privilégio de orientar esta investigação com a qual aprendi a interpretar uma realidade cada vez mais imperativa e complexa. Considero que foi muito importante, para a compreensão que tenho da condição de doente idoso, o conjunto de testemunhos que estão expressos neste livro, cuja leitura considero de grande oportunidade num momento em que a cultura da promoção da saúde e da assistência na doença levanta tantas e tão complexas inquietações.

 

Professor Doutor Nuno Grande

 

Resumo

Em séculos passados, o envelhecimento era considerado um acontecimento excepcional, encarado com respeito e orgulho. Hoje, tornou-se um problema delica-do nos países ocidentais desenvolvidos.
O envelhecimento humano pode ser entendido como um processo individual resultante de alterações biológicas, psicológicas ou outras provocadas pela idade. Para além desta interpretação, existe uma outra que diz respeito ao envelhecimento enquanto processo colectivo. De acordo com esta perspectiva, o envelhecimento demográfico corresponde às alterações relativas à estrutura etária da população.
O envelhecimento crescente da população portuguesa é uma realidade que não podemos ignorar. Este fenómeno tem-se vindo a acentuar nas últimas décadas. Pela leitura da pirâmide etária referente à população portuguesa, é visível a existência de um duplo envelhecimento que se expressa por um aumento da população idosa, \"envelhecimento no topo\" e uma diminuição da população jovem, \"envelhecimento na base\".
Decorrente do aumento da esperança de vida surgem pessoas de idade cada vez mais avançada e, consequentemente, mais dependentes, constatando-se que o núme-ro de idosos dependentes tem criado inúmeros problemas sociais, políticos e econó-micos; significando maiores custos médico-sociais, maiores necessidades de suporte familiar e comunitário, maior probabilidade de cuidados de longa duração devido à maior prevalência de doenças crónico-degenerativas e conduzindo a uma maior solicitação de apoios formais e informais.
A questão central que orientou este estudo diz respeito ao idoso dependente, aos cuidadores principais e aos familiares do idoso dependente. Assim sendo, pro-curámos averiguar se os cuidados dispensados pelos cuidadores principais e pelos familiares estavam directamente relacionados com a qualidade de vida do idoso dependente em contexto familiar.
Os objectivos do estudo foram:
- Analisar o tipo de cuidados que a família e o cuidador principal prestam ao idoso dependente;
- Analisar a perspectiva dos familiares e do cuidador principal do idoso depen-dente no que concerne à prestação de cuidados em contexto familiar;
- Conhecer a relação afectiva dos familiares e do cuidador principal com o idoso dependente;
- Conhecer os valores que imperam para assumir o cuidar do idoso dependente;
- Identificar os apoios disponibilizados ao cuidador principal;
- Identificar as necessidades dos familiares e dos cuidadores principais;
- Identificar os apoios sociais, técnicos e familiares que o idoso dependente recebe.
A nossa opção metodológica situou-se na triangulação dos modelos qualitativos e quantitativos. No entanto, partimos de uma perspectiva fenomenológica, procuran-do descobrir a essência do fenómeno em estudo e o sentido que os sujeitos lhe atribuem.
O estudo foi realizado na região Norte de Portugal, em Trás-os-Montes, no concelho de Boticas. A população do estudo foram todos os idosos dependentes inscritos no Centro de Saúde da área (referenciados pelos enfermeiros) a viverem em contexto familiar, todos os familiares e cuidadores principais do idoso dependente.
Os métodos seleccionados para a recolha de dados foram a entrevista estruturada, a entrevista semi-estruturada, a Escala de Barthel, o Índice de Lawton y Brodie, a Escala de Pfeiffer, o Apgar Familiar e a Escala de Zarit.
No tratamento dos dados utilizámos a estatística descritiva e a análise de conteúdo.
Deste estudo emergiram conclusões que pela sua pertinência salientamos: os indivíduos do sexo feminino foram os que apresentaram maior grau de dependência e faziam parte do grupo etário maior ou igual a 85 anos; os familiares e os cuidadores principais referiram razões para a assunção do cuidar do âmbito da relação como o afecto, obrigação/dever e a reciprocidade; a prestação de cuidados em contexto familiar é assegurada, quase na totalidade, pelos cuidadores informais e dentro destes pelo cuidador principal, prestando cuidados nos domínios instrumentais e expressivos. Os cuidadores informais manifestaram a necessidade de ajuda de outrem, do apoio de técnicos de saúde e de ajuda económica.
Na nossa opinião, os apoios formais e informais ao cuidador principal são impor-tantes para que o idoso dependente possa ser cuidado em contexto familiar e para que os cuidadores não cheguem a desenvolver o sindrome de exaustão do cuidador.