Pós-Graduação em Gestão de Feridas Complexas: Uma abordagem de boas práticas (Lx)

Datas: 26 de Janeiro |9, 16 e 23 de Fevereiro | 2, 16 e 23 de Março | 6 e 13 de Abril| 4, 11 e 18 de Maio de 2019

 

JUSTIFICAÇÃO


Os participantes desta ação de formação têm acesso gratuito ao X Congresso Internacional de Gestão de Feridas Complexas que se realiza nos dias 23 e 24 de Maio de 2019, em Lisboa

Ao longo dos últimos 20 anos houve um incremento nos avanços científicos na área da avaliação e tratamento das feridas. Contudo, as ilações dos estudos realizados em feridas agudas foram durante muito tempo extrapoladas para as feridas complexas. Actualmente tem havido uma aposta nos conhecimentos da biologia das feridas complexas, na sua avaliação criteriosa, nas orientações de prevenção e de tratamento baseadas em Guidelines Internacionais, e na criação e aplicação das medidas terapêuticas mais adequadas.
Esta Pós-graduação tem como propósito a divulgação de planos preventivos e de tratamento, tendo em consideração a complexidade e especificidade das feridas complexas, constituindo um suporte no processo de tomada de decisão para a prática baseada na evidência. Pretende, concomitantemente, a uniformização de procedimentos e da linguagem, atribuindo os mesmos significados aos mesmos significantes. Deste modo, e tendo em conta o custo-efectividade das intervenções de uma equipa multidisciplinar em trabalho interdisciplinar, estar-se-à a contribuir para a melhoria do bem-estar das pessoas com ferida complexa, traduzindo-se no impacto da sua Qualidade de Vida e nos indicadores em indicadores de resultado sensíveis aos cuidados de enfermagem.
Sabendo que são os enfermeiros os principais actores no processo terapêutico destas situações, desenhamos esta Pós-graduação a pensar no desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para os tornar experts nesta área tão importante para a saúde das pessoas.

Objectivos

No final do curso de pós-graduação “Gestão de Feridas Crónicas – Uma Abordagem de Boas Práticas” os formandos deverão demonstrar competências relativas à avaliação, intervenção e investigação em prevenção e tratamento, tendo em conta a complexidade e especificidade das feridas crónicas, de modo:

  • A cuidar da pessoa com ferida crónica em diferentes contextos da prestação de cuidados;
  • A intervir com a pessoa, família e/ou comunidade na prevenção e no tratamento das feridas crónicas, de modo a constitui-la como parceira de cuidados, capacitando-a para a gestão da situação;
  • A desenvolver um discurso científico e um agir ético para com a pessoa com ferida crónica;
  • A desenvolver uma análise reflexiva das práticas como estratégia de aprendizagem;
  • A assumir o papel de consultor nas equipas multiprofissionais.

PROGRAMA

 

Unidades Curriculares

CARGA HORÁRIA

Unidade curricular I

Da avaliação à intervenção - Boas práticas para a recuperação tecidular das feridas Complexas

 

 

30

Unidade curricular III

Especificidade e Abordagem de feridas complexas: Abordagem diferencial entre Úlceras de Pressão, quebras cutâneas e dermatites associadas à incontinência

 

 

15

Unidade curricular IV

Especificidade e Abordagem de feridas complexas:

Ulceras de perna

 

 

29

Unidade curricular V

Especificidade e Abordagem de feridas complexas:

Pé Diabético

 

 

16

 

UC CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS FORMADORES
I
  • Cicatrização da ferida aguda vs complexa
  • Fatores de cronicidade: cicatrização estagnada: inflamatória e senescente
  • Avaliação do estado geral da pessoa
  • Avaliação do estado do leito da ferida e pele perilesional
  • Abordagem à pessoa com ferida aguda e suas especificidades
  • Abordagem à pessoa com ferida complexa: fundamentos gerais
    • Preparação do leito da ferida:
      • Conseguir uma cicatrização ótima da ferida - acrónimo DIM+E
      • Princípios na limpeza da ferida;
      • Desbridamento do tecido inviável (cirúrgico, cortante – técnicas de cover, square e slice; biológico, enzimático e autolítico);
      • A importância da limpeza e desbridamento para controlo da carga microbiológica
      • Infeção;
        • Conceitos e preconceitos
        • Diagnóstico de infecção
          • Estudo microbiológico da ferida
          • Modelo bi-compartimental – infeção do compartimento superficial e profundo
            • NERDS E STONES
  • Antimicrobianos
    • Diferença entre limpeza, desinfeção, antissepsia e antibioterapia
      • Antisséticos em solução desaconselhados e os de nova geração
      • Antisséticos em penso de libertação prolongada
      • Uso e abuso dos antibióticos sistémicos. Quando?
      • Biofilmes e as multirresistências
      • Multi-Estratégias de gestão de biofilmes
    • Controlo e Gestão da humidade;
      • Recursos para aumento/diminuição de humidade
    • Material de penso: indicações, vantagens, desvantagens., gestão de recursos
      • Dicas práticas
  • Estudos de caso
Elsa Menoita
II
  • QUEBRAS CUTÂNEAS
    • A pele da pessoa idosa: envelhecimento cronológico e fotoenvelhecimento
    • Causas das quebras cutâneas
    • Categorias das quebras cutâneas
    • Diagnóstico diferencial: úlceras por pressão e quebras cutâneas
    • Cuidados preventivos
  • LESÕES POR HUMIDADE
    • Tipos de danos associados à humidade:
      • Dermatite associada à incontinência,
      • Dermatite periestomal associada à humidade,
      • Dermatite perilesional associada à humidade,

  • Diagnóstico diferencial: lesões isquémicas e lesões por humidade;
  • Dermatites de contacto de incontinência
    • Dermatites de contacto irritativas (DCI) - (p.e. em w, cowboy, das marés -)
    • Dermatites de contacto alérgica (DCA)
    • Complicações como a dermatite de Jacquet;
    • Dermatites disseminadas
    • Processo eczematiforme: evolução
    • DCI: Fatores de risco
    • Que agentes alergénios?
    • Prevenção das DCI:
      • Limpeza – que produtos?
      • Proteção – que produtos?
      • Caso do sistema de gestão das fezes
  • ÚLCERAS POR PRESSÃO
    • Etiopatologia das Úlceras por Pressão;
    • UPP por dispositivos médicos - Etiopatologia e medidas de prevenção específicas;
    • Avaliação das Úlceras por Pressão (dimensões; categorias; tecidos viáveis e inviáveis – o caso do tecido de hipergranulação -; exsudado; odor e escalas; bordos e pele perilesional; etc)
    • Prevenção
      • Manter a integridade tecidular;
        • Terapia com emolientes: hidratantes, humectantes e ácidos gordos hiperoxigenados - indicações, vantagens, cuidados a ter
        • Dicas práticas.
    • Proteger contra efeitos adversos de forças externas;
      • Posicionamentos no leito e na cadeira – princípios e técnicas;
      • Superfícies de apoio;
        • Tipologia e materiais (estáticas – poliuretano, espuma de poliuretano viscoelástico, gel sólido, microcânulas de silicone; ar, entre outras; dinâmicas)
        • Parâmetros de desempenho (imersão, envolvimento, sem bottoming out, etc)
      • Revestimentos;
        • Parâmetros de desempenho
        • Hammock effect
    • Evidência dos pensos para prevenção das UPP?
    • Caso dos Calcanhares: alvo de boas práticas?
Elsa Menoita
III
  • Epidemiologia
  • Avaliação das úlceras de perna
  • Edema dos Membros Inferiores
  • Insuficiência Venosa Crónica;
  • Anatomia do sistema venoso dos membros inferiores e função venosa normal;
  • Microcirculação na doença venosa crónica;
  • Avaliação de sinais e sintomas, meios complementares de diagnóstico;
  • Classificação da doença venosa dos membros inferiores;
  • Trombose venosa profunda e síndrome pós-trombótico;
  • Tratamento;
  • Úlcera de Origem Venosa;
  • Avaliação da Úlcera de Origem Venosa;
  • Etiologia: teorias que explicam a ulceração venosa;
  • Tratamento
  • Actividade e posicionamento;
  • Terapia Compressiva;
  • Fisiologia da terapia compressiva;
  • Cálculo do IPTB e avaliação das condições para a terapia compressiva;
  • lndicações;
  • Prevenção de complicações;
  • Técnicas e sistemas de ligaduras disponíveis;
  • Insuficiência Arterial Crónica;
  • Anatomia do Sistema arterial dos membros inferiores;
  • Factores de risco;
  • Avaliação de sinais e sintomas, meios complementares de diagnóstico;
  • Tratamento;
  • Úlcera de Origem Arterial;
  • Avaliação da Úlcera de Origem Arterial;
  • Tratamento;
  • Actividade e posicionamento;
  • Linfedema;
  • Anatomia do sistema linfático dos membros inferiores;
  • Avaliação de sinais e sintomas;
  • Classificação do Linfedema dos membros inferiores;
  • Tratamento;
  • Particularidades da terapia compressiva no Linfedema;
  • Aspectos a ter em conta na Úlcera de Perna Mista;
  • Aspectos a ter em conta na Úlcera de Perna Maligna;
  • Workshops
  • Avaliação do IPTB ;
  • Terapia compressiva
Vítor Santos
IV
  • Fisiopatologia do Pé Diabético;
  • Avaliação e Classificação do Pé Diabético
  • Pé neuropático;
  • Pé isquémico;
  • Isquémia Aguda e Crónica;
  • Pé de Charcot;
  • Tratamento do Pé Diabético;
  • Preparação do leito da ferida no diabético;
  • Desbridamento;
  • Aspectos Microbiológicos;
  • Tratamento Cirúrgico;
  • Plano Preventivo
Vítor Santos

DOCENTES

COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA E CIENTIFICA:
Enf.ª Elsa Menoita
Enfº Vitor Santos

Convidados
Enfª Ana Rita Cigarro
Enfª Ana Santos
Enfª Claudia Gomes
Enfº Nuno Dias
Enfº Ricardo Paço

Enfermeira Elsa Menoita
Enfermeira do Hospital Curry Cabral;
Pós-graduada em Gestão Integrada nos Serviços de Saúde;
Mestre em Gestão Avançada de Recursos Humanos;
Especialista em Enfermagem de Reabilitação;
Coordenadora do Grupo de Trabalho de Úlceras de Pressão (GTUP) do Hospital Curry Cabral;
Coordenadora do grupo FERIDASAU;
Conselho Cientifico Revista Sinais Vitais

Enfermeiro Vítor Santos
Enfermeiro do Centro Hospitalar do Oeste Norte (CHON);
Especialista em Enfermagem Médico Cirúrgica
Mestre em Enfermagem Médico-Cirúrgica
Coordenador do Grupo de Formação em Feridas do CHON;
Coordenador do Grupo FERIDASAU;
Conselho Cientifico Revista Sinais Vitais;
Colaborador UI&DE - Grupo de trabalho Prática baseada na Evidência

 

 

CONDIÇÕES

Condições de Candidatura:
-Preenchimento de ficha de candidatura
-Comprovativo do Certificado ou Diploma do Curso de Licenciatura em Enfermagem
- Síntese curricular (modelo europass ou similar).
- Pagamento de taxa de 25 euros, por transferência bancária, cheque ou vale postal.

Podem concorrer os candidatos que satisfaçam cumulativamente as seguintes condições:
Ser detentor do título profissional de Enfermeiro;
Ser titular do grau de Licenciado em Enfermagem ou Equivalente legal.

Candidaturas:
Através de internet, resultados da selecção disponíveis em www.sinaisvitais.pt

Critérios de selecção por ordem de prioridade:
- Documentação referida nas condições de candidatura em ordem
- Ordem de chegada à Formasau (carimbo do correio ou data do e-mail)
- Apreciação da síntese curricular.

Matricula e Propinas: 25€ de taxa de candidatura + 50€ de matrícula e a propina única de 650€ ou 4 pagamentos de 180€, sendo o primeiro feito no primeiro dia de formação.
Duração: 180h (96 horas de sala de aula + 84 horas de trabalho do formando)
Horário: das 09 às 13h e das 14h às 18h – Sábados
Local: Escola Profissional Gustave Eiffel