Datas: 14, 21 e 28 de Setembro| 12, 19 e 26 de Outubro | 9, 16, 23 e 30 de Novembro | 7 e 14 de Dezembro de 2019
As alterações profundas nas curvas de transição epidemiológica e demográfica na sociedade ocidental, as características destes últimos dois séculos, que em paralelo com as mudanças sociais, económicas e médicas (resultantes sobretudo da industrialização e do investimento na curabilidade e aumento da esperança de vida) conduzem à necessidade de rever e refletir sobre os métodos tradicionais de prestação de cuidados de saúde, quando a curabilidade apresenta o seu limite e, a morte é a meta final dos doente que, pela cronicidade, pelo desenvolvimento e pelo agravamento da sua doença, necessitam de cuidados de saúde vocacionados e ajustados às suas necessidades e às necessidades da sua família. O aumento da esperança média de vida, mais evidente na sociedade ocidental, induz a uma mortalidade em grandes idosos, relacionada com doenças crónicas. A doença crónica, progressiva e não curável potencia, ao longo do tempo, os níveis de dependência e de necessidades físicas, emocionais e sociais. Assim, os doentes e suas famílias precisam de respostas em cuidados de saúde adequadas e direcionadas para esta sua fase de vida, que se relacionam com o adequado controlo sintomático (sobretudo da dor), promoção de conforto e comunicação assertiva e ajustada aos dilemas e conflitos emocionais que se vão colocando com o avançar da doença. Esta resposta exige a participação e cooperação de uma equipa muitidisciplinar em saúde que procura acrescentar “vida aos dias”, principalmente àqueles que, no seu trajeto paliativo, necessitam de cuidados que se coadunam com a seu percurso de doença e de vida, e cujo apoio à família, como unidade a cuidar, é premente e implicando também acompanhamento após a morte do seu ente querido. A OMS revelou que as doenças crónico degenerativas, se constituiriam como a causa de morte de cerca de 35 milhões de pessoas em todo o mundo, o que salienta a importância deste flagelo dos séculos XX e XXI, que afecta cada vez mais indivíduos em fase activa e que acarretam níveis de dependência mais ou menos prolongados, com repercussão em elevado sofrimento biopsicossocial. Os Cuidados Paliativos foram definidos pela OMS, em 2002, como "uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida do doente e família, os quais enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, através da prevenção e alívio do sofrimento, com recurso à identificação precoce e tratamento rigoroso dos problemas não só físicos, mas também dos psicossociais e espirituais". O Programa Nacional de Cuidados Paliativos alega que "a complexidade das situações clínicas, a variedade das patologia, o manejo de um largo espectro terapêutico e a gestão de um sofrimento intenso requer, naturalmente, uma preparação sólida e diferenciada, que deve envolver quer a formação pré-graduada dos profissionais que são chamados à prática deste tipo de cuidados, exigindo preparação técnica, formação teórica e experiência prática efetiva”, dando assim ênfase à importância da formação específica nesta área de cuidar. De acordo com a Associação Europeia de Cuidados Paliativos, através da sua Task Force em Educação definiu, três níveis de formação em Cuidados Paliativos. A presente formação baseia-se no nível B (formação avançada, pós-graduada), que se dirige a profissionais que frequentemente se confrontam com situações de Cuidados Paliativos (ex: oncologia, geriatria, pediátricos, cuidados continuados, cuidados comunitários, doenças crónicas e debilitantes, etc). Esta formação deve conter de acordo com a Associação Nacional de Cuidados Paliativos (2004) entre 90 a 180 horas. A presente proposta de formação considera como conteúdos formativos os referenciados como essenciais no Despacho de 15 de Junho de 2004 (aprovação do Programa Nacional de Cuidados Paliativos) e o proposto pela Associação Nacional de Cuidados Paliativos no que respeita à formação de profissionais de saúde, incluindo os cuidados à pessoa doente e sua família em internamento ou no domicílio, nomeadamente o alívio dos sintomas; o apoio psicológico, espiritual e emocional; o apoio à família; o apoio durante o luto e a interdisciplinaridade. OBJECTIVOS - Desenvolver nos profissionais, que atuam na área dos cuidados paliativos, as competências necessárias à prática de cuidados físicos, psicológicos e psicossociais, a doentes e famílias que vivem situações de doença terminal, tanto na comunidade, como em internamento; CONTEÚDOS Princípios e filosofia dos Cuidados Paliativos Doente e adaptação ao processo de doença grave Apoio à família/cuidador principal Trabalho em equipa Atitudes da sociedade face à morte e ao fim de vida Organização do sistema de cuidados de Saúde Autocuidado dos profissionais Perícias de comunicação Controlo sintomático Ética aplicada Apoio no luto PROGRAMA 1 – Os cuidados paliativos no sistema de saúde 1. 1 – Modelos de organização de cuidados paliativos nacionais 1.2 – O doente: observação, avaliação e controlo de sintomas 1.3 – Intervenção geral de Enfermagem 2 – Dor 2.1 – Fase terminal, agonia, morte e luto 3 – Doente e família 3.1 – Impacto da doença grave 3.2. – Comunicação: instrumento terapêutico 4 – Equipa interdisciplinar 5 – Auto-cuidado e aspectos éticos Metodologias de formação No que diz respeito aos métodos de trabalho, o curso está estruturado da seguinte forma: 1- Ensino teórico (T) e teórico-prático (TP): Apresentação de conceitos; acompanhamento de grupos de formandos na pesquisa bibliográfica, recolha de informação complementar e elaboração de relatórios; debates, demonstração prática das características, manuseamento, programação e monitorização de cuidados. 2- Tempo de trabalho do formando (TF): Aplicação dos conceitos adquiridos. Pesquisa e recolha de informação. Desenvolvimento do raciocínio lógico e do espírito crítico na análise e resolução de problemas reais Recursos didácticos/meios/equipamentos: Mmios audiovisuais (computador e projector multimédia); material de apoio (lista bibliográfica, textos); estratégias de ensino aprendizagem (método expositivo, trabalhos de grupo, pesquisa bibliográfica, debate). Metodologias de avaliação: Todos os módulos que integram o plano de estudos do curso são objeto de avaliação. Assim, admitem-se as seguintes modalidades de avaliação: Contínua; Participação activa (nas sessões letivas, incluindo nos trabalhos de grupo); Assiduidade; Sumativa (referente aos conteúdos programáticos dos módulos). A classificação não poderá ser inferior a dez (10) valores. Trabalho de Projecto. A classificação não poderá ser inferior a dez (10) valores. Duração: 90 horas de sala de aula + 70 horas de trabalho do formando Público alvo: Licenciados na área da Saúde, Enfermagem, Social ou Psicologia Coordenação Científica: Prof. António Amaral Coordenação Científica e pedagógica: Enf.ª Ana Rocha – IPO de Coimbra Condições de candidatura: Preenchimento de ficha de candidatura; Comprovativo do Certificado ou Diploma do Curso de Licenciatura Síntese curricular (modelo europass ou similar). Pagamento de taxa de 25€, por transferência bancária, cheque ou vale postal. Candidaturas através de Internet, email ( Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.) ou correio para: Propinas: Propina única: 500€JUSTIFICAÇÃO
PROGRAMA
- Compreender e analisar a concetualização e o enquadramento dos cuidados paliativos no continuum de cuidados a pessoas e famílias em fase de doença terminal;
- Compreender e planear intervenções em cuidados paliativos;
- Executar e avaliar intervenções em cuidados paliativos;
- Compreender as estratégias de intervenção terapêutica em cuidados paliativos;
- Analisar e discutir a dimensão ética do processo de intervenção em cuidados paliativos;
- Promover a ligação entre os diferentes contextos da prestação de cuidados;
- Construir e divulgar o saber em cuidados paliativos visando o seu desenvolvimento e evidenciando o impacto positivo na qualidade de vida das pessoas.
CONDIÇÕES
Horário: das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17:00h – Sábados
Local: Escola Profissional Gustave Eiffel
Critérios de selecção por ordem de prioridade:
Matrícula: é oficializada mediante o pagamento de 50€
Em três prestações: 200€ cada