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Experiências subjectivas do doente em Coma

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Descrição

ISBN: 972-8485-56-5
Autora: Maria de Fátima Dias
Nº de Páginas: 144
Formato: 15 X 21 cm
Editora: Formasau
Ano de edição: 2005

Existe uma incomodidade substancial na vida do Homem que o leva a enfrentar todos os desafios que o ultrapassam. Essa incomodidade terá nascido quando o Homem se tornou consciente de si, do seu passado, do seu presente, do seu futuro, da sua morte. Essa consciência, que rapidamente se tornou consciente de si própria, incómoda. Mas foi também por causa dela que nos empenhámos em todas as grandes realizações.
Seria o Homem mais feliz sem consciência? É possível que sim. Mas, para isso, teria de abdicar da condição humana.
Presos do paradoxo, desde os alvores da humanidade que procuramos consciências alternativas, e nelas mergulhamos sem atender às regras consensuais de que é formada a nossa consciência vigil. Subvertidas estas regras, tudo poderia ser dito, e não faltam as mais variadas opiniões que alimentam as crenças mais dispares. É este um caminho fácil, mas enganoso.
Enfrentar, porém, os estados de consciência alterados e as experiências humanas perto da fronteira da morte com as ferramentas da lógica e das regras da ciência contemporânea, é um caminho mais dificil e trabalhoso, sempre desgastante e incompleto, mas o único em que podemos confiar. Não seremos recompensados pelo alimento das crenças apaziguadoras, mas daremos mais um passo para além dos nossos limites, porventura um passo no caminho da nossa incomodidade - da nossa consciência.
Foi esta a opção da Mestre em Psicologia Clínica do Desenvolvimento, Maria de Fátima Dias, no trabalho que tive o gosto de orientar e que agora vem a público. Ela teve a coragem de enfrentar uma complexa revisão da literatura, onde se destacavam algumas hipóteses bem apaziguadoras quanto aos estados de consciência que precedem a morte. Descendo porém ao terreno dos doentes reais, daqueles que enfrentam a luta pela vida em situações limite, desvanecem-se as hipóteses que gostaríamos de encontrar. Pelo contrário, verificamos que os doentes inconscientes - em coma - mantêm apesar de tudo uma consciência aguda da situação, e uma sensibilidade que torna significativa a mais pequena atitude dos circundantes.
Estes doentes são, até ao fim, pessoas humanas que aguardam ansiosamente os gestos da comunicação mais profunda: o afago com que exprimimos os nossos afectos, o toque, o sorriso, o som e a palavra de que eles estão privados. Que saibam disso todos os que trabalham com doentes críticos, mesmo que estejam em coma, para que a humanização dos cuidados de saúde se transfira da nossa retórica para os nossos actos.
Aqueles que passam por esta experiência e lhe sobrevivem não encontram o paraíso. Mas saem dela renovados, com mais respeito pela vida e maior determinação em enfrentá-la..

(Prefácio - J. L. Pio Abreu )