RIE 14 FEVEREIRO 2016

 

 

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Generalização de habilidades de conversação em doentes com esquizofrenia – uma análise crítica
Generalization of conversation skills in patients with schizophrenia – a critical analysis
Generalización de las habilidades de conversación en pacientes con esquizofrenia – un análisis crítico
Carlos Melo-Dias

O NURSING ACTIVITIES SCORE: Índice de avaliação da carga de Enfermagem na UCI
NURSING ACTIVITIES SCORE:Nursing load evaluation index in the ICU
NURSING ACTIVITIES SCORE: ÍNDICE DE EVALUACIÓN DE LA CARGA DE ENFERMERÍA EN LA UCI
Rute Severino; Lucília Nunes; Sérgio Deodato; Ana Paula Martinez; Elisabete Saiote

Dor músculo esquelética a nível da coluna vertebral em estudantes de enfermagem: prevalência e fatores de risco
Musculoskeletal pain at the level of spine in nursing students: prevalence and risk factors
El dolor musculoesquelético en la columna vertebral en los estudiantes de enfermería: prevalencia y factores de riesgo
Henrique Nunes; Arménio Cruz; Paulo Queirós

Centros de Responsabilidade - revisão sistemática da literatura: do conceito à realidade
Responsibility Centers – sistematic review of the literature: from the concept to the reality
Centros de Responsabilidad – revisión sistemática de la literatura: del concepto a la realidade
Joana Raquel Capinha Alexandrino Freire

ADAPTAÇÃO DO QUESTIONÁRIO DE CULTURA ORGANIZACIONAL EM CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS
ORGANIZATIONAL CULTURE SURVEY ADAPTATION IN PRIMARY HEALTH CARE
ADAPTATION DEL CUESTIONARIO DE CULTURA ORGANIZACIONAL EN ATENCIÓN PRIMARIA DE SALUD
Teresa Borges; Beatriz Araújo; João Costa Amado

IMPORTÂNCIA DO GRUPO NA CONSTRUÇÃO DA INTIMIDADE: A participação dos grupos em função da idade dos adolescentes
IMPORTANCE OF THE GROUP IN THE CONSTRUCTION OF INTIMACY: The participation of the groups according the age of the adolescents
IMPORTANCIA DEL GRUPO EN LA CONSTRUCCIÓN DE INTIMIDAD: La participación de los grupos en función de la edad de los adolescentes
José Pinto; João Pinto

 

EDITORIAL

Vivemos tempos de dificuldades em diferentes dimensões da vida das famílias portuguesas, com particular enfoque para a crise gerada pelos «brutais» cortes orçamentais. Este fenómeno tem arrastado um número significativo de famílias para o desemprego prolongado, empobrecimento, traduzido por uma diminuição drástica do poder de compra, colocando em risco o acesso a um conjunto de bens e serviços básicos para a qualidade de vida das famílias onde, particularmente, a classe média tem sido a mais penalizada (podemos incluir os enfermeiros). Todavia, em Portugal, a evolução demográfica caraterizada pelo «duplo envelhecimento», à priori, parece ser favorável à enfermagem enquanto profissão, uma vez que o aumento exponencial de idosos tem como uma das consequências inevitáveis, o aumento de famílias que integram pessoas em situação de dependência no autocuidado. O último Relatório de Primavera (OPSS, 2015) teve como temática central a monitorização do acesso a cuidados de saúde por parte da população portuguesa. Este documento revela que em Portugal estima-se que haja, a cada momento, cerca de 110 mil pessoas dependentes no autocuidado no seio das cerca de 4 milhões de famílias clássicas. Deste total de pessoas dependentes, cerca de 50 mil são «acamadas» (valor por defeito)!... o que pela condição de saúde muito vulnerável, possuem critérios clínicos de referenciação para a RNCCI, isto é, com necessidade de suporte profissional de forma mais sistemática. Todavia, o número de vagas na RNCCI é substancialmente inferior às necessidades identificadas, dando resposta apenas a 1/3 do total destes «grandes dependentes». Traduz isto um problema de sub-referenciação e, neste sentido, uma (de)igualdade no acesso a cuidados de saúde por parte de cidadãos com iguais critérios clínicos. A investigação sobre esta problemática mostra-nos que um insuficiente suporte profissional em cuidados de saúde tem impacto negativo na qualidade de vida das famílias, bem como, no aumento dos custos por via dos reinternamentos hospitalares.
A crescente necessidade em cuidados associada a esta condição de dependência, afigura-se como um desafio prioritário às decisões políticas em saúde, onde deve ser comtemplado um modelo de igualdade, proximidade e centralidade nas famílias, com respostas personalizadas e colocadas no terreno em tempo útil pela emergência da condição de saúde dos idosos dependentes. Julgamos que neste momento já ninguém coloca em dúvida a utilidade dos enfermeiros como parte integrante da (boa) solução, sendo um recurso imprescindível a estas famílias pelas competências diferenciadas num domínio do conhecimento disciplinar tão centrado no «core» da enfermagem. Portanto, nestes últimos anos, apesar das boas intenções e de tentativas de encontrar soluções mais adequadas por via de algumas reformas importantes na área da saúde (a criação da RNCCI é um exemplo), o modelo de organização dos cuidados de saúde que tem vigorado continua a mostrar-se ineficaz. Por um lado, na (in)acessibilidade aos cuidados por «todos», por outro lado, na distribuição dos recursos humanos disponíveis. Esta dupla dificuldade está, obviamente, interligada. Por isso, há um trabalho a concretizar a montante que nos parece absolutamente prioritário no sentido de suporte às decisões neste âmbito, promovendo uma melhor otimização dos (parcos) recursos disponíveis: a caraterização do fenómeno do autocuidado em território nacional. Este trabalho em alguns concelhos do país já está concretizado, nomeadamente na região norte, por via de programas de doutoramentos em enfermagem, fornecendo informação clinicamente muito relevante e, espera-se, politicamente muito útil ... mas que necessita urgentemente de continuidade. Estamos convictos que os enfermeiros também podem beneficiar com a caraterização deste fenómeno, porque o seu conhecimento global potencia a reformulação do modelo de prestação de cuidados de enfermagem, como forma de resposta mais efetiva... cremos que estamos perante (mais) uma oportunidade para todos nós!

Fernando Petronilho, PhD, Escola Superior de Enfermagem, Universidade do Minho