RIE 16 AGOSTO 2016

 

 


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Sumário / Summary

IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO INICIAL EM ENFERMAGEM NA AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTOS E COMPETÊNCIAS PARA CUIDAR DA PESSOA COM FERIDAS
HOPE IN ONCOLOGIC PATIENTS. CONTRIBUTIONS OF NURSES
LA ESPERANZA EN LOS PACIENTES CON CÁNCER. LAS CONTRIBUCIONES DE LAS ENFERMERAS
Luísa Teixeira Santos; Inês Ângelo Fernandes; Ângela Xavier; José Carlos Santos

A ESPERANÇA EM DOENTES ONCOLÓGICOS. CONTRIBUTOS DO ENFERMEIRO
STUDENTS' STRESS IN NURSING PRACTICAL CLASSES: AN EXPLORATORY STUDY
EL ESTRÉS EN LOS ESTUDIANTES EN LAS CLASES PRÁCTICAS DE ENFERMERÍA: UN ESTUDIO EXPLORATORIO
Isabel Maria Batista Araújo

A INTERVENÇÃO HUMOR EM ENFERMAGEM NUM SERVIÇO DE ORTOPEDIA: ESTRATÉGIAS E BENEFÍCIOS
THE HUMOR INTERVENTION IN NURSING AT AN ORTHOPEDIC WARD: STRATEGIES AND BENEFITS
LA INTERVENCIÓN HUMOR EN ENFERMARIA: ESTRATEGIAS Y BENEFÍCIOS EN ORTOPEDIA
Carla Filipa Múrias dos Santos; Luís Manuel Mota de Sousa; Maria Leonor Carvalho; Sandy Silva Pedro Severino; Helena Maria Guerreiro José

QUESTIONÁRIO "CONHECIMENTOS, ATITUDES E PRÁTICAS SOBRE PRECAUÇÕES BÁSICAS DO CONTROLO DA INFEÇÃO": CONSTRUÇÃO E VALIDAÇÃO
KNOWLEDGE, ATTITUDES AND PRACTICES ON UNIVERSAL PRECAUTIONS OF INFECTION CONTROL SURVEY: CONSTRUCTION AND VALIDATION
CUESTIONARIO "CONOCIMIENTOS, ACTITUDES Y PRÁCTICAS EN PRECAUCIONES UNIVERSALES DE CONTROL DE INFECCIONES": CONSTRUCCIÓN Y VALIDACIÓN
Teresa Borges; Beatriz Araújo; João Costa Amado

QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA COM DIABETES MELLITUS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
QUALITY OF LIFE OF A PERSON WITH DIABETES MELLITUS – AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW
LA CALIDAD DE VIDA DE LA PERSONA CON LA DIABETES MELLITUS – UNA REVISIÓN INTEGRADORA DE LA LITERATURA
Andreia Cruz Sousa; Cátia Filipa Ferreira Pinheiro; Hellen Caroline Lovisi Brandão;Tony Pinheiro Duarte; Rosa Cristina Correia Lopes

 

EDITORIAL

Todos sabemos, que a sobrevivência das empresas/organizações continua ainda ligada à ideia de “as pessoas certas nos lugares certos”. Hoje com uma dupla exigência: em primeiro, a eficiência e, em segundo, porque é maior a pressão e volatilidade do mercado.
Das escolas e das universidades espera-se que delas saiam peritos, técnicos investigadores com capacidade de inovação, conscientes dos reais problemas das organizações onde trabalham ou irão trabalhar. Em relação ao ensino exige-se uma nova tecnologia educativa, com uma nova dinâmica de organização dos recursos humanos, materiais e financeiros, com novos conceitos e métodos. É assim possível a aquisição de novas aptidões e competências, com a transformação do atual nível de conhecimento empírico, em conhecimento científico, dentro e fora das escolas e universidades.
Por estas e por outras razões, o conceito de competência tem sido abordado em muitos discursos, nas mais variadas áreas do saber. Salientamos a produção teórica sobre competências realizada no mundo do trabalho e das organizações que é já de enorme importância, surgindo, cada vez mais, no discurso dos educadores e formadores, pela necessidade de promover uma maior adequação e ligação entre dois mundos: a escola e o trabalho.
A preocupação com a competência aumenta à medida que o trabalho se torna mais exigente e menos prescritivo. O panorama internacional da segunda metade do século XX conheceu alterações profundas, podendo dizer-se que o futuro deixou de ser uma projeção mais ou menos linear do passado; que o taylorismo foi substituído pelo learning e que os sistemas são cada vez mais encarados numa ótica biológica e menos numa ótica física. Nos últimos cinquenta anos, o contexto económico evoluiu de uma economia centrada na produção para uma outra, mais exigente, centrada no fator mercado. Quando a procura era superior à oferta, as organizações necessitavam, apenas e sobretudo, de saber e poder produzir. As estruturas organizacionais de tipo piramidal e com forte pendor taylorista dependiam de forças humanas numerosas e disciplinadas. Em contrapartida, no novo tipo de economia, centrada no mercado, a procura é cada vez mais exigente em questões de preços e de qualidade e manifestamente inferior à oferta, tendo, por isso, as organizações necessidade de ver desenvolvidas e a trabalhar em conjunto todas as suas funções.
A par da evolução dos meios tecnológicos disponibilizados para as atividades produtivas, o crescimento da qualidade dos recursos humanos utilizados tornou-se um fator estratégico elementar, sem o qual a tecnologia não renderá o que dela se espera, nem a competitividade melhorará.  O homem deixa de ser encarado apenas como um prestador de esforço físico e passa a assumir importância como ser pensador. Os gestores não podem aceitar que se desperdice a capacidade dos trabalhadores para fazerem avançar novas soluções. Perde assim a chamada Organização Científica do Trabalho, assente nas investigações de Taylor, onde é conhecida a indeterminável repetição de tarefas.
Não obstante a possibilidade de interpretar a competência de várias maneiras, percebe-se pela literatura a existência de duas grandes correntes teóricas. A primeira, representada por autores norte-americanos, que entende a competência como um conjunto de qualificações ou características subjacentes à pessoa, que lhe permitem  realizar determinado trabalho ou lidar com determinada situação. A segunda, representada principalmente por autores franceses, associa a competência não a um conjunto de atributos da pessoa, mas àquilo que o indivíduo produz ou realiza no trabalho. A competência constitui, portanto, um conceito nebuloso, que pode ser analisado sob diferentes maneiras e, por isso, sujeito a ambiguidades.
Na nossa perspectiva, a competência é a capacidade de decidir para solucionar problemas, de exercer a sua profissão em diferentes situações, de desempenhar o seu papel social a partir de conhecimentos, experiências, valores e atitudes, de saber aplicar os conhecimentos num contexto específico. Por outras palavras, a competência não se deve restringir a um simples saber-fazer, para que não resulte numa prática automatizada, que exclua a subjetividade, a reflexão e a criatividade de cada um. Ao contrário, a competência deve fazer uso habitual e criterioso da comunicação, do conhecimento, das habilidades técnicas, do raciocínio clínico, das emoções, dos valores e da capacidade de refletir sobre a prática para benefício pessoal e da coletividade.
A competência não é uma moda. É uma inevitabilidade!

Luís M. Oliveira
Elemento do Conselho Editorial da RIE