RIE 20 AGOSTO 2017

 

DOWNLOAD INTEGRAL DA REVISTA

CAPACIDADE DE AUTOCUIDADO E ADESÃO AO REGIME TERAPÊUTICO DA PESSOA TRANSPLANTADA AO CORAÇÃO
Self-care capacity and accession to the therapeutic regime of the person heart  transplanted
capacidad de autocuidación y adesión ao regimiento terapêutico da pessoa transplantada a coração
António José Santos Ferreira; Paulo Alexandre Carvalho Ferreira; Emília Conceição Mesquita Sola

PROPRIEDADES MÉTRICAS DO TIMED UP AND GO TEST NO IDOSO: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Psychometric properties of the timed up and go test in community-dwelling elderly people: integrative literature review
propiedades clinicométricas del timed uo and go test en ancianos de la comunidad: revisión integradora de la literatura
Ana Margarida Pinheiro Rosa; Alexandra Sofia Matias de Freitas; Catarina Alexandra Varão Simão Lopes; Sandra Cristina Fernandes Gonçalves; Ana Catarina Gonçalves dos Santos Redondo; Luís Manuel Mota de Sousa

APLICAÇÃO DE PELÍCULA DE CLORETO DE POLIVINIL (CLINGFILM) EM QUEIMADURAS
APPLICATION OF POLYVINYL CHLORIDE FILM (CLINGFILM) IN BURNS
APLICACIÓN DE PELÍCULA DE CLORETO DE POLIVINIL (CLINGFILM) EM QUEIMADURAS
Catarina Isabel Figueiredo da Cruz; Herlander Tadeu Godinho Soares; João Manuel Garcia Nascimento Graveto


COPING E BEM-ESTAR NAS PESSOAS COM DOENÇA CARDÍACA, ONCOLÓGICA E/OU INFECIOSA
Coping and well-being in people with heart, oncologic and/or infectious disease
El COPING y el bienestar de las personas con enfermedades cardiovasculares, oncológicas y/o infecciosas de enfermería de rehabilitación
Diana Nélia Pereira De Sousa; Ana Catarina Silva Costa; Carlos Melo-Dias

SUMÁRIO

O GRITO DE IPIRANGA
Depois das expetativas criadas em torno do um novo modelo de desenvolvimento profissional, aprovado em Assembleia Geral da OE em Maio de 2007, a carreira de enfermagem nos termos do Decreto-Lei n.º 437/91, de 8 de Novembro, foi decepada em 2009 com a criação de uma carreira especial (Decreto-Lei n.º 248/2009, de 22 de setembro), tendo sido eliminadas as categorias que vigoravam, nomeadamente, a de enfermeiro especialista, para se imporem apenas 2 categorias: enfermeiro e enfermeiro principal.
Esta nova carreira de enfermagem alterou completamente o paradigma protagonizado para um desenvolvimento profissional que se pretendia sustentado e motivador da formação e da procura constante de evidência científica que permitisse, por uma lado, melhorar a qualidade dos cuidados de enfermagem nos diversos contextos clínicos e, por outro, promover o desenvolvimento da Disciplina de Enfermagem.
Perante esta nova legislação e as políticas de austeridade dos últimos anos assistiu-se à degradação progressiva do sistema nacional de saúde, com as condições de trabalho dos profissionais de saúde, nomeadamente dos enfermeiros, a piorarem significativamente, com reflexos evidentes na qualidade dos cuidados de saúde, e na maioria dos indicadores de saúde, essenciais para uma resposta adequada às necessidades em cuidados de saúde da população, cada vez mais envelhecida, dependente e fragilizada.
Nos últimos meses, para além de algumas alterações das condições de trabalho relacionadas com horários de trabalho, mais que justificadas, observaram-se movimentações legítimas de diversas entidades, nem sempre coesas e articuladas da melhor maneira, em torno da carreira de enfermagem e, em concreto, relacionadas com as especialidades de enfermagem em geral, com as suas competências e respetivas remunerações.
O "Grito de Ipiranga" resultou e permitiu atingir um acordo com o governo, o que é de louvar, apesar dos constantes obstáculos e dificuldades, pouco claros e estranhos, levantados durante o processo de negociações. Aparentemente estão reunidas condições para o regresso (esperamos que rápido) da categoria de enfermeiro especialista, uma decisão mais do que justificável no contexto atual, fundamental para o incremento, tão necessário e urgente, da qualidade dos cuidados de saúde.
A afirmação e a consciência profissional não depende apenas da aprovação de legislação e regulamentos, mas passa por um comportamento e atitude coerente com as competências inerentes aos diversos contextos, com profissionalismo, sem preconceitos, nos diversos níveis de intervenção, desde o enfermeiro gestor ao enfermeiro generalista, o que nem sempre se tem verificado, nem verifica...
Não podemos escamotear a nossa história, mas não podemos esquecer o desenvolvimento profissional, ao longo dos anos, em Portugal e no mundo, e desperdiçar todos os avanços alcançados em termos de conhecimentos e de competências, sem esquecer a articulação e a interdisciplinaridade inerente aos cuidados de saúde.
Lembremos que entre as diversas competências comuns do enfermeiro especialista (OE, 2011), consta o "disseminar e levar a cabo investigação relevante, que permita avançar e melhorar a prática da enfermagem", sem a qual nenhuma disciplina e profissão se desenvolve e afirma cientifica e socialmente.

Arménio Cruz