RIE 23 MAIO 2018

 

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IMPACTO DE PROGRAMAS BASEADOS EM MINDFULNESS NOS SINTOMAS DE ANSIEDADE, STRESS E DEPRESSÃO
Impact of mindfulness programs on anxiety, stress and depression symptoms
Impacto de programas mindfulness en los síntomas de ansiedad, estrés y depresión
Luísa Micaela Teixeira Santos; Teresa Camarinha Almeida; Rosa Cristina Lopes

INTENSIDADE DA DOR REFERIDA PELOS CLIENTES SUBMETIDOS A CISTOSCOPIA FLEXÍVEL COM A UTILIZAÇÃO DE DIFERENTES GÉIS URETRAIS LUBRIFICANTES
Pain intensity reported by patients undergoing flexible cystoscopy with the use of different lubricants urethral gels
La intensidad del dolor informado por los pacientes sometidos a cistoscopia flexible con el uso de diferentes lubricantes geles uretrales
Ana Gabriel Lopes; Pedro Miguel Sousa; Ana Catarina Alves; Maria José Costa Dias

MODELOS DE FORMULAÇÃO DA QUESTÃO DE INVESTIGAÇÃO NA PRÁTICA BASEADA NA EVIDÊNCIA
Frameworks to research question in evidence-based practice
Modelos de formulación de la cuestión de investigación en la práctica basada en la evidencia
Luís Manuel Mota de Sousa; Joana Mendes Marques; Cristiana Furtado Firmino; Fátima Frade; Olga Sousa Valentim; Ana Vanessa Antunes

O PAPEL DO ENFERMEIRO COMO CAPACITADOR DO AUTOCUIDADO HIGIENE BUCAL
The nurse's role as a promotor of self-care bucal hygiene
El papel del enfermero como capacitador del autocuidado higiene bucal
João Manuel Garcia do Nascimento Graveto; Marisa Isabel dos Santos Simões; Daniela Filipa Costa Marques

BLOGS SOBRE SUICÍDIO: ANÁLISE DO DISCURSO MEDIADO POR COMPUTADOR
Blogs en el suicidio: Análisis de expresión mediada por ordenador
Blogs about suicide: Analysis of speech mediated by computer
Camila Corrêa Matias Pereira; José Carlos Pereira dos Santos; Nadja Cristiane Lappann Botti

EDITORIAL

Aguentem aí o SNS
António Arnaut deixou um desafio aos actuais decisores políticos: "aguentem aí o SNS".
Segundo o Relatório elaborado pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical, no âmbito do Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde (Abril de 2017), "A sustentabilidade financeira do SNS reside, fundamentalmente, no crescimento do seu orçamento e na melhoria da eficiência no funcionamento das unidades públicas de saúde, que compreende a melhoria na utilização das tecnologias de informação e comunicação", defende.
Refere também que a procura crescente por seguros de saúde levou a um aumento da oferta, um fenómeno que se deve em parte aos tempos de espera para consultas e cirurgias no SNS, "pelo que a sustentabilidade do SNS é um dos maiores desafios que o governo enfrenta".
Desde 2010, a despesa total em saúde diminuiu e a despesa pública em percentagem da despesa total em saúde (64,7%) está entre as mais baixas da UE, cuja média é de 76,0%.
Já o encargo das famílias com a saúde, que já era significativo antes da crise, foi agravado por algumas políticas, representando os pagamentos directos 26,8% do PIB em 2014 e 27,6% em 2015, valores que estão entre os mais elevados da União Europeia (UE).
Em 2015 temos um rácio de 653,9 Enfermeiros/100.000 habitantes, dos mais baixos da Europa. Por exemplo França tem 1025,5, Luxemburgo 1256,7, Noruega 2105,4. No que diz respeito à relação enfermeiro/médico temos, em 2015, 1,38 enfermeiros/médicos/100.000 habitantes, o 3º pior valor da UE. Países como a Noruega têm um rácio de 4,78, a Finlândia, por exemplo, tem um rácio de 4,7 (Pordata, 2018).
Outro aspecto não menos importante diz respeito às assimetrias regionais no acesso aos cuidados de saúde. É notória a falta de profissionais e valências especializadas nas regiões afastadas dos grandes centros urbanos, o que coloca em causa a qualidade assistencial em situações de urgência ou no acompanhamento/monitorização de pessoas dependentes no autocuidado.
Um número reduzido de enfermeiros, aliada à fraca valorização profissional, ao encurtamento da jornada de trabalho nos períodos de maior exigência assistencial, cria nas instituições contextos de trabalho cada vez mais adversos. As consequências que daqui poderão advir são: aumento da incidência de úlceras de pressão, de infecções urinárias, de pneumonias de aspiração, de quedas. As pessoas poderão ir menos bem preparados para casa para lidarem com as consequências das patologias nas suas vidas, o acompanhamento realizado a montante do hospital está cada vez mais comprometido dado o desinvestimento nas Unidades de Saúde Familiar (USF); o internamento domiciliário, apesar de ser muito menos honoroso, não passa de experiências piloto em certas unidades hospitalares.
Quando olhamos a distribuição do volume de financiamento do SNS e verificamos que apenas 0,3% são para cuidados domiciliários e 1,1% para cuidados preventivos, facilmente compreendemos como estas áreas têm pouca possibilidade de desenvolvimento das respostas adequadas que possam inverter a tendência "hospitalocêntrica" (Sousa, Maria Augusta, 2018),
O presente contexto coloca-nos perante novos problemas. Os constrangimentos à actividade profissional dos enfermeiros são de tal forma graves que podem comprometer as boas práticas e a tomada de decisão baseada em evidência, por um conjunto de razões, nomeadamente o desinvestimento em projectos de melhoria contínua, a desvalorização do percurso profissional e consequente competências clínicas adquiridas no contexto da prática e a desvalorização das habilitações académicas destes profissionais. Arrumou-se a meritocracia na gaveta.
Não obstante, a investigação realizada pelos enfermeiros não faz sentido sem a sua divulgação e consequente incorporação na tomada de decisão, logo, tem que ser útil e fazer sentido para a prática clínica. Todo este processo necessita de ser reforçado e fomentado sistematicamente, se queremos um SNS pautado pelos mais rigorosos padrões de qualidade. Não podemos desta forma descurar o papel estruturante dos enfermeiros nos ganhos em saúde da comunidade, que com as suas particularidades, necessitam de respostas de proximidade, ajustadas às suas especificidades.
Aguentar o SNS passa obrigatoriamente por reforçar o papel dos Enfermeiros e da Enfermagem. Dos primeiros, através do envolvimento em posições politicas – local, regional e nacional; da profissão, através do desenvolvimento de um perfil colectivo que defenda o cidadão e as respostas em cuidados de saúde de qualidade.

Rui Manuel Jarró Margato