SINAIS VITAIS 126

 

 

SUMÁRIO
PAPEL DO ENFERMEIRO NA REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL DO DOENTE INIMPUTÁVEL
A INFLUÊNCIA DO FUNCIONAMENTO FAMILIAR NA QUALIDADE DE VIDA DOS IDOSOS:
UM ESTUDO NUMA INSTITUIÇÃO DE ACOLHIMENTO
PERTURBAÇÕES DO SONO EM ADULTOS/IDOSOS HOSPITALIZADOS
OS PERFIS DE AUTOCUIDADOS DOS CLIENTES DEPENDENTES: ESTUDO EXPLORATÓRIO NUMA UNIDADE DE SAÚDE FAMILIAR 28A INFLUÊNCIA HIPOCRÁTICA NA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOS ENFERMEIROS
A INFLUÊNCIA HIPOCRÁTICA NA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOS ENFERMEIROS
ÚLCERAS DE PRESSÃO ASSOCIADAS A DISPOSITIVOS MÉDICOS
VISITA DE REFERÊNCIA: CUIDADOS EM PARCERIA

EDITORIAL
Ricardo Jorge, conhecido de todos pela sua obra, dizia que mais do que preocuparem-se com o deve e haver da balança comercial, os governos deveriam preocupar-se com a saúde das pessoas, porque esse é o capital dos capitais.
Tenho neste espaço defendido este compromisso na defesa da saúde das pessoas e na necessidade da provisão dos cuidados de saúde que seja efetiva e de qualidade. Faço-o, porque entendo que um país, para ser sustentável, deve garantir aos cidadãos um conjunto de bens que, se deixados ao livre funcionamento do mercado, podem a prazo, hipotecar o futuro de todos. Refiro-me á educação e aos cuidados de saúde que são dois bens cujo consumo gera benefícios sociais muito superiores aos benefícios individuais de consumo, e que portanto não deve, o seu consumo, ser deixados á livre iniciativa dos consumidores. Veja-se o que se passou com a recente crise do surto de sarampo e o alarme social que foi criado. Esta crise foi apenas uma das que existem, foi mais visível no plano mediático, as televisões fizeram eco do que se passava, mas então porque não se torna mediático o que se passa diariamente nos hospitais, públicos e privados, onde a falta de enfermeiros é por demais evidente com reflexo na qualidade e segurança das pessoas? Não me parece que possamos continuar a assobiar para o lado, coniventes com este estado de coisas. Cada um de nós profissionais tem que dizer o que se passa nos seus locais de trabalho. Vários estudos têm dado conta dos cuidados que ficam omissos, ou seja dos cuidados que deveriam ser prestado e não o são porque não há tempo disponível. Nos hospitais Portugueses o número de horas potenciais de cuidados nas 24 h para cada doente é de cerca de 3.8h. A tipologia de doentes é cada vez mais exigente do ponto de vista dos cuidados de enfermagem. Como é possível num turno das 16 ás 24h, o turno da tarde ficarem 3 ou 4 enfermeiros para, em muitos caso, mais de 30 doentes prestarem-se todos os cuidados que os doentes necessitam? Se vinte desses doentes necessitarem de posicionamentos de 2 em 2 h o tempo disponível já não chega. Surgem as escaras, as iACS, aumenta a demora média, não se fala com os doentes, demora-se a responder aos apelos da campainha. Importante que tomemos consciência deste fenómeno. Hoje os doentes que estão nos hospitais são habitualmente idosos com elevados graus de dependência em cuidados de enfermagem. É urgente dar-lhes resposta. Fica mais barato. Os cuidados de enfermagem são um investimento.
O capital dos capitais é a saúde das populações e um país sustentável tem que ser um país saudável.

António Fernando S. Amaral, Enfermeiro
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