SAUDE, EDUCAÇÃO E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS. EXERCICIOS DE DIALOGO E CONVERGÊNCIA

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Descrição

Coordenadores: Manuel Lopes; Felismina Mendes; Antónia Moreira
Editora: Formasau

 

ÍNDICE
PRIMEIRA PARTE

QUESTÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS

REPRESENTAçõES SOCIAIS – UMA TEORIA EM PROGRESSO

O TRâNSITO DE SABERES: OLhAR SOBRE A PRODUÇÃO BRASILEIRA

REPRESENTAÇõES SOCIAIS DO INDIvÍDUO; QUESTõES PSICOSSOCIAIS

A TRANSDISCIPLINARIDADE EM SAúDE

 

SEGUNDA PARTE

SAÚDE E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NOS IDOSOS

CONTRIBUTO DAS REPRESENTAÇõES SOCIAIS PARA O DOMÍNIO DA SAÚDE E DA vELhICE

AGEING AND GENERATIONS. A SOCIAL REPRESENTATION APPROACh

OS DESAFIOS PARA A ATENÇÃO à SAúDE DA POPULAÇÃO IDOSA NO BRASIL

SAúDE E DOENÇA PARA PESSOAS IDOSAS COM ENFARTE AGUDO DO MIOCáRDIO

ENvELhECIMENTO, SAúDE BUCAL E QUALIDADE DE vIDA

 

TERCEIRA PARTE

SAÚDE, EDUCAÇÃO E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

PARADIGMAS DA PROMOÇÃO, PREvENÇÃO E CUIDADOS EM SAúDE

PARADIGMAS DA PROMOÇÃO E PREvENÇÃO EM SAúDE

AS vULNERABILIDADES DA EDUCAÇÃO PARA A SAúDE

FARá A EDUCAÇÃO BEM à SAúDE?

A EDUCAÇÃO POPULAR EM SAúDE COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

AÇõES AFIRMATIvAS NA UFPB: POLÍTICA EDUCACIONAL vERSUS QUESTÃO CULTURAL

AvALIAÇÃO DE MENSAGENS PREvENTIvAS E MUDANÇA DAS vULNERABILIDADES

SOCIAIS E CULTURAIS DA INFECÇÃO PELO hIv

CONCEPÇõES DOS PROFESSORES DE 1º CEB SOBRE O CONTRIBUTO DA EDUCAÇÃO

SExUAL DAS CRIANÇAS PARA A PROMOÇÃO DA SUA SAúDE FUTURA

 

 

Prefácio

O lidar com os problemas de saúde das pessoas traduz-se sempre num confronto connosco próprios e num desconforto. Estes assumem diversas dimensões.

Por um lado, a dimensão projectiva. Também sou eu que estou na pele daquele outro. Por outro a dimensão da insuficiência, da incapacidade. Esta tem múltiplas subdimensões e facetas.

A primeira é a insuficiência e a incapacidade da compreensão por lidarmos com fenómenos humanos. De facto, independentemente da doença, estamos sempre perante alguém em sofrimento. Ora este tem uma dimensão vivencial intransmissível que impede a sua total compreensão por outrem.

A segunda é a insuficiência e incapacidade de compreensão por limitação do meu saber e conhecimento. Este tem várias origens. A primeira residirá com certeza na nossa limitada capacidade. Nenhum de nós sabe tudo, nem poderá saber, nem teve acesso ao conhecimento de todas as ciências. Para além disso, fomos educados numa perspectiva essencialmente monodisciplinar e monoprofissional, por vezes, marcada por princípios corporativos.

Estas duas insuficiências e/ou incapacidades potenciam-se mutuamente e agravam o nosso desconforto. Todavia o desconforto, a incomodidade, podem ser motores que nos impulsionem a procurar saídas possíveis.

De algum modo é isso que este livro traduz. Este livro é o resultado dos contributos de um conjunto diversificado de pensadores e investigadores com origens e percursos muito diversos. O que os une é a inquietação face ao desconhecido, a preocupação face aos outros e a si próprios, a necessidade de estar com os outros, de falar com os outros, de confrontar o seu discurso, o seu saber, de lhe descobrir as fragilidades, de encontrar pontos de contacto e convergência, de descobrir outros caminhos para trilhar em conjunto.

Estes pensadores e investigadores juntaram-se durante três dias na bonita cidade de Évora, num colóquio que teve como instituições promotoras a Universidade de Évora, através da Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus e do Centro de Investigação em Ciências e Tecnologias da Saúde e a Universidade da Paraíba, através da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e do Programa de Pós-Graduação de Enfermagem. Contou ainda com a colaboração de diversas outras instituições portuguesas e brasileiras tal como se pode constatar através do sítio, http://www.clbsers.uevora.pt/index.htm.

Durante esses três dias preocupámo-nos essencialmente em construir pontes. Pontes entre pessoas de origens diferentes quanto ao país, à cultura e à formação disciplinar e profissional. O mote foi: a saúde, a educação e as representações sociais. Para quem esteve presente e de acordo com os seus testemunhos, esse objectivo foi alcançado. Entendemos que os contributos foram tão profícuos que seria lamentável que os mesmos ficassem acessíveis apenas aos participantes. Por isso, entendemos adequado organizar uma publicação que reunisse o maior número possível desses contributos. É o que agora apresentamos.

Como pano de fundo, emerge a pertinência de uma actuação conjunta e urgente na reflexão e acção que se perfila como a única capaz de nos dar uma visão integradora da saúde e educação, na sociedade actual.

Trata-se, portanto, de uma obra que aborda de forma singular realidades cada vez mais complexas – a saúde e a educação. Porém, como se poderá constatar através de uma leitura atenta, apesar da multiplicidade de situações e da heterogeneidade que pautam os quotidianos de saúde e educação, é possível trilhar caminhos onde se aprende em conjunto (recorrendo por exemplo à Teoria das Representações Sociais). É, justamente, nas diferentes linhas de orientação descritas ao longo do livro, que muitos alunos e profissionais poderão encontrar as bases de sustentação da sua actuação.

Daqui a relevância e o indiscutível valor desta obra para todos os que se interessam por estas áreas do conhecimento e que nas páginas seguintes encontrarão um conjunto de reflexões e de trabalhos de investigação, produzidos por um apreciável número de personalidades do mundo académico e consideradas de referência nas suas áreas.

O livro, intitulado “Saúde, Educação e Representações Sociais: Exercícios de Diálogo e Convergência”, organiza-se em três partes distintas, ainda que profundamente inter-relacionadas. A primeira parte é dedicada a questões teórico-metodológicas e é constituída por um conjunto de reflexões que reequacionam e reinterpretam a Teoria das Representações Sociais. Termina com um desafio à transdisciplinaridade.

A segunda parte é toda ela dedicada à saúde e representações sociais nos idosos. Neste capítulo, para além das excelentes reflexões, podemos contactar com alguns exemplos de trabalhos de investigação que problematizam e dão contributos sobre algumas questões concretas como por exemplo: os desafios para a atenção à saúde da população idosa no Brasil e representação social de saúde e doença de pessoas idosas com enfarte agudo do miocárdio.

A terceira e última parte, é mais um exercício de diálogo entre a saúde, a educação e as representações sociais. Nele se questionam os actuais paradigmas de promoção e prevenção em saúde, mas também os relativos à educação para a saúde. Por último, são apresentados um conjunto de trabalhos de investigação através dos quais se avaliam estratégias de Educação para a Saúde junto de grupos populacionais específicos.

Referir por último que, por respeito aos autores e à originalidade dos textos, mantivemo-los na língua ou dialecto em que foram produzidos.

Esperando que seja tão agradável para vós a leitura, como para nós foi este exercício de diálogo e convergência, aqui fica à vossa consideração, este conjunto de contributos.

Évora, 15 de Fevereiro de 2009

Manuel Lopes

Felismina Mendes

Antónia Silva